A bola vai rolar

Por Jaisson Pepes – Publicitário

O apito ainda não soou, mas o estádio já está lotado. As arquibancadas (redes sociais, jornais, WhatsApp da família) já escolheram seus times. E, como em toda grande final de campeonato, tem que chegar preparado e ligado desde o primeiro segundo.

Eleição é igual a futebol. Tá certo que não tem bola, mas tem torcida, tem escalação, tem estratégia. E, principalmente, um detalhe que separa os campeões dos demais: ninguém vence sozinho.

Time bom se prepara antes do jogo começar. Candidato bom também. Quem espera a corrida eleitoral começar oficialmente para pensar em posicionamento já larga correndo atrás do prejuízo. É antes do apito que se define a identidade: qual história contar, para quem e por que alguém deveria se importar com ela. Marca política, como marca de produto, não se constrói na véspera. Constrói-se com repetição, coerência e uma pitada de coragem para dizer algo que ninguém mais está dizendo.

Quando a campanha começa, a estratégia precisa estar escalada. É preciso ter zagueiro para sustentar a narrativa nos dias ruins, meio-campo para conectar o discurso à vida real do eleitor e atacante para transformar uma ideia em mensagem clara. Comunicação que erra a escalação pode até atacar o jogo inteiro, mas corre o risco de tomar gol no contra-ataque.

Só que existe um adversário cada vez mais difícil de marcar. Não é apenas o candidato do outro lado. É o dedo nervoso que desliza pela tela do celular. É o próximo vídeo. A próxima mensagem. A próxima notícia. O próximo meme. É uma multidão de estímulos disputando, ao mesmo tempo, alguns segundos da atenção do eleitor.

Antes de disputar voto, a campanha precisa disputar atenção. E, nesse campeonato, comunicação complicada começa perdendo. Se a mensagem não for simples, direta e memorável, talvez ela nem chegue a entrar em campo. Fica no banco enquanto o eleitor continua rolando o feed.

Há outra lição que o futebol conhece bem: torcedor não muda de camisa facilmente. Eleitor também não. E confiança não se compra com verba; constrói-se com verdade contada de forma interessante. Discurso bonito sem entrega vira aquela contratação milionária que não emplaca: promete gol e decepciona nos 90 minutos.

A corrida eleitoral que se inicia é um campeonato de médio prazo disputado em sprints curtos. Cada semana é uma rodada. Cada erro de comunicação é um pênalti perdido. Dói, mas o jogo continua. O segredo não é nunca errar. É estar em campo, com identidade clara, quando a bola finalmente rolar.

E, no dia 16, ela começa a rolar. A pergunta que fica é: quem vai estar pronto para jogar e quem vai só torcer para o apito atrasar?

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