Márcio Orofino, engenheiro civil, sócio e diretor executivo da ENE Consultores e Canteiro AEC
Nasci, cresci e construí minha vida em Florianópolis. Como alguém que acompanha de perto as transformações da cidade, quero vê-la crescer. Crescer sem perder aquilo que a torna única: sua natureza, suas praias, sua paisagem e sua qualidade de vida. Mas também crescer economicamente, gerando oportunidades para quem nasceu aqui e para tantos que chegaram, criaram raízes e escolheram Floripa como sua cidade.

Desenvolvimento e preservação não precisam estar em lados opostos. Há mais de 22 anos atuo como engenheiro, trabalhando para transformar edifícios em ambientes mais confortáveis, eficientes e de menor impacto ambiental. Em 2007, fui para São Paulo e por lá morei por quase 10 anos. Participei da primeira geração de consultores de edifícios verdes do Brasil. Naquela época, quando propúnhamos bicicletários em edifícios corporativos, muitas vezes éramos recebidos com piadas. Hoje, São Paulo possui uma extensa malha cicloviária e há lugares e horários em que até as bicicletas enfrentam congestionamentos. As cidades mudam. Aquilo que um dia parece improvável pode se tornar parte da vida cotidiana. Por aqui ainda espero poder nadar no mar da Praia de Fora, nossa querida Beira-Mar Norte, assim como faziam meus familiares na límpida e linda praia de Itaguaçu.
Florianópolis também avançou muito, mas precisamos reconhecer que ainda convivemos com problemas que não são falta de recursos ou de conhecimento, mas de planejamento, execução e cuidado. Quem passa pela SC-405, na região da faixa reversível do Rio Tavares, encontra um exemplo simples disso. Obras públicas precisam ser pensadas e executadas com mais qualidade, atenção aos detalhes e respeito por quem utiliza a cidade todos os dias.
E talvez uma das maiores oportunidades de Florianópolis esteja justamente onde sua história começou: no Centro tradicional. Por trás de prédios envelhecidos e imóveis que se deterioram existe um patrimônio urbano extraordinário. O Centro já tem infraestrutura, transporte, comércio, serviços e uma localização estratégica que conecta a Ilha ao Continente, mas está definhando a cada dia. Em vez de expandirmos indefinidamente a cidade sobre novas áreas, podemos também reconstruí-la sobre si mesma.
Revitalizar o Centro, recuperar edifícios, trazer novas moradias, empresas, comércio, cultura e vida para suas ruas pode ser uma das grandes agendas urbanas das próximas décadas. Uma transformação capaz de unir desenvolvimento econômico, sustentabilidade e preservação da nossa história. Mas este não pode ser um movimento para dinamarquês ver, tem que ser real, autêntico e viável.
Eu acredito nessa Florianópolis. Uma cidade que não tenha medo de crescer, mas que saiba crescer melhor. Que preserve sua natureza sem fechar as portas para o futuro. E que ofereça oportunidades para nossos filhos escolherem permanecer aqui.
A transformação de Florianópolis não depende apenas do poder público. Depende de todos nós. E começa quando acreditamos que é possível construir uma cidade ainda melhor. E eu acredito nisto!





