Associações de bairro: Quando a comunidade decide participar da cidade

Por Fernando Wisintainer Luz – Manezinho, empresário e Vice-Presidente da Associação da Praça Olívio Amorim

Uma cidade não é construída apenas pelas decisões tomadas dentro das prefeituras, câmaras ou demais órgãos públicos. Ela se transforma diariamente nas ruas, calçadas, praças e bairros, a partir da relação entre quem mora, trabalha, empreende e circula por esses espaços. É justamente nesse ambiente que as associações locais podem exercer um papel cada vez mais relevante.

Fernando Wisintainer Luz
Fernando Wisintainer Luz

Há alguns anos participo voluntariamente da APROA (Associação da Praça Olívio Amorim), atualmente como vice-presidente. A entidade nasceu da mobilização de moradores e comerciantes da região central de Florianópolis, especialmente do entorno da avenida Hercílio Luz, que perceberam a necessidade de criar uma representação organizada para uma área histórica e importante da cidade, mas que até então não possuía uma voz institucional própria.

A experiência tem demonstrado que uma comunidade organizada consegue estabelecer uma relação diferente com o Poder Público. Demandas individuais passam a ser discutidas coletivamente, prioridades podem ser definidas com maior clareza e reivindicações ganham representatividade. Mais do que simplesmente cobrar soluções, uma associação permite construir propostas e participar do debate sobre o território.

Na APROA, procuramos fazer isso ouvindo permanentemente moradores, comerciantes e frequentadores da região. Pesquisas, reuniões e canais de comunicação ajudam a identificar problemas e, principalmente, a compreender quais temas realmente são prioritários para a comunidade.

Ao mesmo tempo, aprendemos que participar significa também assumir responsabilidades. Nos últimos anos, promovemos mutirões de plantio e manutenção do passeio da avenida Hercílio Luz, investimos em equipamentos de segurança custeados pela própria associação, estabelecemos parcerias com comerciantes e desenvolvemos ações voltadas à valorização e ocupação dos espaços públicos. Também avançamos no diálogo sobre a Praça Olívio Amorim e outros pontos importantes do nosso entorno.

Essas iniciativas não pretendem substituir o Estado. Pelo contrário. Zeladoria, segurança, planejamento urbano e manutenção dos espaços públicos continuam sendo responsabilidades essenciais do poder público. O papel de uma associação é contribuir para que essas políticas estejam mais próximas das necessidades de quem vivencia diariamente aquele território.

Talvez esse seja um dos maiores potenciais do associativismo local: diminuir a distância entre o cidadão e as decisões que interferem diretamente na sua vida.

Quando moradores e comerciantes deixam de atuar isoladamente e passam a compartilhar problemas, ideias e soluções, surge uma força coletiva capaz não apenas de reivindicar, mas também de transformar.

Florianópolis possui bairros e regiões com histórias, características e necessidades muito diferentes. Quanto mais essas comunidades estiverem organizadas e representadas, maior será a capacidade da cidade de tomar decisões conectadas à realidade de cada território.

A experiência da Aproa reforça uma convicção que tenho levado comigo: uma cidade melhor não depende somente de bons governos. Depende também de cidadãos dispostos a participar dela.

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