Rancho Queimado: Casa de Cultura transforma história da região em atração turística

A Casa de Cultura de Rancho Queimado, no estilo alemão e construída às margens da BR-282, não passa despercebida aos olhos de quem mora ou passa pela região. Depois de 10 anos abandonada, o local será inaugurado no dia 10 de outubro de 2026, às 9h. O evento será aberto ao público, com contação de histórias, oficinas de pintura, jogos e dança alemã.

Vendo a situação da casa, a cerimonialista e empresária Júlia Brum teve uma ideia: “Essa casa sempre exerceu um fascínio sobre mim, então eu pensei que esse seria o lugar apropriado para uma casa de cultura, um espaço para a comunidade e desenvolvimento de projetos culturais”.

Casa de Cultura de Rancho Queimado será inaugurada dia 10 de outubro - Foto: Divulgação
Casa de Cultura de Rancho Queimado será inaugurada dia 10 de outubro – Foto: Divulgação

A proposta da Casa da Cultura de Rancho Queimado é resgatar a história e dar espaço para a criação coletiva dos artistas locais, com exposições, apresentações, contação de histórias, tudo de forma gratuita para quem quiser apreciar. Malu Nakid, artista visual, embarcou no projeto junto com Julia, que também atua como organizadora de eventos, decoradora e designer floral:

“Aqui vai acontecer o desenvolvimento artístico, criativo e social de crianças e jovens. Para os adultos, vamos promover o bem-estar e a saúde através de projetos como: grupos de leitura, pintura, oficinas de colagem, modelagem, entre muitos outros”, destaca Malu.

O pertencimento ao local fez com que dezenas de moradores e fundadores da cidade, doassem objetos de seus antepassados, que carregam histórias, para a sala da memória e para a biblioteca comunitária. O projeto é fomentado com o apoio da iniciativa privada, em parcerias que estão sendo formadas com empresas da região e voluntários, que colocaram a mão na massa para montar a casa com tanto carinho.

Inauguração da Casa da Cultura

Depois da inauguração no dia 10 de outubro, a visitação na casa será de quinta à sábado, das 10h às 18h, para o público em geral, e também estará aberta a visitação de escolas e instituições, com horários flexíveis em função dos cursos, oficinas e grupos de estudo.

Vista lateral da Casa de Cultura de Rancho Queimado – Foto: Divulgação

O espaço conta com galeria de exposições, sala da memória com antiguidades, biblioteca, floricultura, loja de artesanato local e peças étnicas culturais, casinha para crianças, um belo jardim, contação de história, ateliê de artes para adultos e crianças, apresentações de música, dança, poesia, e uma agenda cultural repleta de novidades a cada mês.

“Somos um grupo cultural, queremos fomentar a arte, resgatar a memória da região, ampliar as opções de turismo e visitação na cidade, mas principalmente trazer exposições, cursos, workshops, grupos de estudo e leitura para os moradores locais. Dar oportunidade para que diversos artistas do estado, coletivos e associações, possam expor aqui”, convidam Malu e Júlia.

A casa na entrada da cidade

A história começa com Alfredo Roberto Sell, descendente de imigrantes alemães. Em 5 de outubro de 1905, ele se instalou em Rancho Queimado, onde fundou uma pequena cervejaria, que depois veio a se tornar a Pureza, na entrada de Rancho Queimado.

Uma relíquia na Casa de Cultura de Rancho Queimado – Foto: Divulgação

A origem do refrigerante Pureza está ligada a um pedido das mulheres da comunidade, que não apreciavam tanto o sabor amargo da cerveja. A família começou então a produzir uma bebida sem álcool, inicialmente conhecida como “cerveja doce”, vendida também nas garrafas tradicionais. Com o tempo, recebeu sabor de guaraná e, em 1926, ganhou o nome “Pureza”. Ainda hoje se encontram garrafas de vidro da Pureza, e há quem diga que o sabor é diferente da mesma bebida na garrafa pet.

A casa tradicional próxima à fábrica foi construída em 1934, pelo próprio Alfredo Sell para seu filho. Décadas mais tarde, ela continuava sendo a residência de Adelmar Sell, neto do fundador. Segundo ele, a casa foi feita antes de seu nascimento e permaneceu ligada à família por gerações.

Atualmente a casa foi vendida pela família para duas irmãs que oportunizaram a locação para as duas empreendedoras, que reformaram e criaram esse espaço cultural neste importante marco na cidade, às margens da BR-282.

Quem faz parte

O espaço foi construído a muitas mãos, com artistas visuais, escultores (as), fotógrafos (as) artesãs, poetas e escritores, confira alguns deles abaixo:

  • Tatiana Heinz – Artista plástica, natural de Rancho Queimado, SC, toda a família ainda vive em Rancho Queimado. Faz desenhos desde criança. Aos 18 anos começou a pintar tela numa escolinha profissional na cidade vizinha, um mês depois começou a pintar só em casa, iniciando a venda dos quadros. A partir disso, vieram os convites para começar a dar aula. Desde então, vem ensinando a arte da pintura em tela e também em tecido, nas cidades de toda redondeza.
  • Philippe Debdled – Fotógrafo: nascido em Bruxelas e radicado no Brasil, em Florianópolis, desde 1995, fotógrafo de natureza e paisagem. Ao longo dos anos, essa relação com a fotografia foi tomando diferentes formas — editoriais, livros,
    exposições — e, atualmente, também através da produção de obras Fine Art, a presença da arte em ambientes.
  • Ana Ludwig – Contação de histórias : Apreciadora da delicadeza, nascida na Ilha de Florianópolis é pedagoga/professora, amante das artes, da educação, da literatura e de toda forma de beleza. Atua coordenando/mediando Clubes de Leitura, promovendo rodas de Biblioterapia entre outras ações que divulgam a literatura e contribuem para a formação de leitores.
  • Grupo Folclórico – Dança alemã – O grupo nasceu em Antônio Carlos, no ano de 2024, a partir da amizade de pessoas que já compartilhavam a tradição de participar dos desfiles nas festas alemãs da região. Unidos pelo amor à cultura germânica, decidiram transformar essa paixão em dança e alegria. O que dá vida ao grupo são as pessoas que o compõem: cada integrante contribui com seu entusiasmo, talento e dedicação, tornando cada passo mais especial.
  • Maria Isabel Wobeto – Artista plástica visual – Natural de Passo Fundo (RS), é artista plástica visual e psicóloga. Vive em Santa Catarina há mais de uma década e, após residir em Florianópolis, estabeleceu-se em Rancho Queimado (SC), onde mantém seu ateliê e desenvolve sua produção artística. Autodidata, iniciou sua trajetória nas artes visuais em 1997, dedicando-se à pintura em telas. Mais recentemente, encontrou na cerâmica um novo espaço de criação e expressão.
    Sua obra nasce da observação sensível da natureza, das emoções e da experiência humana, transformando sentimentos em poesia visual.
  • Malu Nakid – Aquarelas – Artista plástica visual, professora-artista e Terapeuta Artística Antroposófica (RTA 104). Desde 1990, já na primeira profissão de arquitetura e paisagismo, encontrou a aquarela como um meio de expressar sua visão de mundo, contemplação dos espaços e admiração pela natureza. Atua também como professora e facilitadora de processos por meio da arte. Há dez anos,
    na série “Aves Brasileiras e Seus Habitats”, explora e estuda artisticamente pássaros, em especial as aves do Sul, onde faz da observação uma rotina diária.

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