Entrevista Fenelon Damiani

A entrevista deste domingo é com um jornalista que fez história na televisão e na comunicação de Santa Catarina. Estamos falando de Fenelon Vicente Damiani, que completará 76 anos no dia 19 de julho. 

Pai dos gêmeos Fenelon Vicente e Maria Carolina, “Fenela”, como é chamado pelos amigos, iniciou os seus trabalhos em comunicação na rádio Anita Garibaldi em 1960. Em 1962, fundou a Rádio Santa Catarina. Trabalhou na rádio Diário da Manhã, onde além de apresentador atuou no rádio teatro. Sua primeira experiência em televisão foi na TV Florianópolis, uma TV experimental, que ficava no centro da cidade. Trabalhou na rádio e TV Cultura, onde foi fundador da emissora. 

Atuou ainda nas rádios FM Barriga Verde e Musical FM. Uma curiosidade foi ter sido o primeiro apresentador a fazer um programa de esportes em Florianópolis, na TV Cultura, na década de 70. Depois, foi para a TV Eldorado, em Criciúma, em 1981. 

Em 1982, foi contratado pela RBS TV, onde trabalhou como apresentador de todos os telejornais, incluindo o Jornal do Almoço, RBS Notícias e Rede Regional de Notícias. Em 1992, foi para o SBT onde Trabalhou até 2002. 

Foi Mestre de Cerimônia de vários governos do Estado começando no governo Paulo Afonso Vieira até o governo Luiz Henrique da Silveira. Foi Mestre de Cerimônia em diversos eventos realizados em Santa Catarina com a presença de presidentes da República como Ernesto Geisel, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. 

Encerrou suas atividades profissionais como secretário Municipal da Comunicação no governo Dário Berger, em 2012, completando 52 anos de serviços prestados à comunicação.

1- Como está a vida longe das câmeras?

A vida está mais tranquila longe da pressão do trabalho. É uma vida dedicada à família e ao lazer. Agora posso viajar e curtir mais a criação e a educação dos meus filhos pequenos. Acompanhar de perto a evolução deles a cada dia que passa. Gosto muito de cozinhar, para mim, trata-se de um hobby. Divido os serviços de casa com minha esposa Carolina. Também sou um fiel torcedor do meu time do coração, o Figueirense. Uma terapia para mim é fazer trabalhos manuais, tenho bastante habilidades com essas atividades.

2- O que lhe traz saudade na profissão e na cidade?

Uma das coisas que mais me traz saudade é o convívio com os colegas. Grandes nomes como Sônia Bridi, Marcos Losekann, Mirian Dutra, Maria Lins e tantos outros. Sinto saudade da era romântica do rádio e da TV, nos anos 70. Uma nostalgia muito grande pela televisão que a gente fazia na época. Do esforço que se tinha, já que não havia os recursos de hoje em dia, como o telepromter, por exemplo, na época da TV Cultura. Na vida profissional, minha maior paixão sempre foi o rádio. No rádio, eu tive um programa que marcou uma geração, o madrugada Zero Hora, na Rádio Santa Catarina. Um programa ao vivo, da meia noite às duas da manhã, onde eu recebia grandes nomes da música popular brasileira. Fui um dos primeiros disc jockeys a rodar Jorge Benjor no Brasil. Saudade da Florianópolis da minha época de infância e juventude. Uma inesquecível Florianópolis, quando a gente descia para o centro e tinha os locais certos para encontrar os amigos. Nós conhecíamos todas as pessoas da cidade. Saudade de quando criança tomava banho de mar na praia do Müller, hoje Beira-Mar Norte. Saudade de subir na torre da Ponte Hercílio Luz. Saudade das antigas sociedades carnavalescas, com os inovadores carros de mutação. Eles fizeram de Florianópolis o terceiro carnaval mais famoso do Brasil, inspirando inclusive o carnavalesco Joãosinho Trinta. Saudade dos tradicionais bailes do Lira Tênis Clube.

3- Como foi ser pai de gêmeos já com uma idade maior?

Voltar a ser pai depois dos 70 anos foi algo fantástico. Jamais imaginei que poderia ser tão prazeroso e divertido participar do dia a dia e da educação das crianças. Quando as minhas filhas mais velhas nasceram, eu não pude participar diretamente da educação delas, por causa do trabalho. Agora, aposentado, eu convivo diariamente com o crescimento e a educação dos gêmeos. Eles me fazem ter mais cuidado comigo mesmo e manter a saúde sempre em dia. Quero viver muitos anos para poder cuidar dos meus filhos. Eu sei o quanto eles ainda precisarão de mim.

4- Como você vê a comunicação nos tempos atuais?

A comunicação mudou muito por causa da internet. A notícia é instantânea. Gosto de acompanhar os sites de notícias e redes sociais como Twitter para me manter informado sobre as notícias do Brasil e do mundo. Meu maior foco de interesse é o esporte, principalmente futebol, e a política nacional. Acompanho as notícias através de sites e aplicativos do celular, mas o rádio da minha cozinha está sempre ligado. O rádio nunca vai morrer. Ele é o meu companheiro inseparável.

5- Você sempre foi boêmio. Abandonou os bares?

A Boemia foi uma época que passou na minha vida. Larguei os vícios do cigarro e da bebida alcoólica, mas continuo frequentando os bares, tomando minha água tônica com gelo e limão. Meu recanto predileto é a Mercearia Ori no bairro Abraão, onde moro. É um reduto alvinegro. A música continua sendo uma das grandes paixões da minha vida. Os clássicos da MPB, jazz e blues e demais clássicos da música internacional me fazem viajar pelo tempo. Ouço meus vinis, CDs e DVDs com bastante frequência.

6- E o futebol, outra paixão sua. Continua indo ao estádio?

Minha paixão pelo Figueirense é tão grande que não posso, de maneira nenhuma, deixar de assistir a um jogo no Orlando Scarpelli. Estive em todos os jogos do campeonato brasileiro, até mesmo enfrentando chuva, levando a bandeira, torcendo sempre no meu local predileto, no setor B. Tenho muitas saudades de ir aos jogos fora de Florianópolis, como fui em Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e em Porto Alegre. Logo as crianças vão crescer um pouco mais (já estão com 5 anos), e vamos poder voltar a acompanhar o Figueirense Brasil afora. 






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