Entrevista Raphael Soares

Em 2020, ele vai completar 23 anos de história no carnaval, sendo 19 anos como carnavalesco. Vindo de Nilópolis, no Rio de Janeiro, ele atuou em carnavais de lá, de São Paulo, do Interior do Estado Paulista, em Floripa e em outras cidades de Santa Catarina. Participou também do carnaval de Alcobaça, em Portugal. 

Mas antes, atuou como compositor de sambas de enredo por algumas vezes. Fora do carnaval, trabalha na Área da Cultura do Município de São José. É figurinista, escritor e diretor teatral. Em 2016 foi enredo da Escola de Samba Jardim das Palmeiras. 

Estamos falando do campeoníssimo carnavalesco Raphael Soares que ano que vem assinará um belíssimo enredo sobre Antioneta de Barros na Consulado, escola de samba que ele tem 5 títulos em duas passagens. E pra 2020 a expectativa é de bicampeonato com a proposta de desfile. Confira o bate-papo:


1- O que representa pro carnaval de Floripa o enredo sobre Antonieta de Barros?

Representa o resgate memorial de uma personagem pioneira que marcou a história da cidade e do país. Antonieta merecia uma homenagem à altura do que ela representa e em uma escola do grupo especial. Ela merece ser protagonista de um enredo, pois sua história é grandiosa e seria injusto apenas citá-la. Ainda bem que os deuses do samba conspiraram a favor e esse momento chegou comigo à frente do projeto. Estou muito feliz.

2- A sinopse traz um texto leve, muito bem pensado. Qual a expectativa do samba?

Pensei em fazer uma sinopse fácil, não só para os compositores mas para todos os componentes da escola. Pra cada um entender a proposta da escola e do desfile que virá. Tenho uma expectativa muito boa com relação aos sambas. Quando o tema é bom já facilita bastante. Inspira o coletivo. Estou aguardando grandes obras! Um samba bom é meio caminho andado.

3- Como você avalia o carnaval de Florianópolis neste momento?

Estamos ainda nos passos da reconstrução, de fazer valer o potencial e a capacidade da cidade em fazer carnaval. Carnaval de passarela! Depois da quebra de 2013, quando não tivemos desfiles, o recomeço tem sido crescente. Fazendo o sambista voltar a acreditar nas escolas de samba e fazer a população acreditar que os desfiles trazem retorno. Com isso, atrair de volta o reconhecimento dos investidores. Mas não podemos estagnar. Não podemos estacionar no tempo. A cada ano tudo fica mais caro e a subvenção deve seguir o mesmo ritmo.

4- Nos conte sobre este retorno à Consulado nos últimos carnavais. Este não veio mais um título na escola.

De 2005 a 2011 foram sete anos de grandes carnavais e 4 títulos. Foi uma grande marca na minha história e com certeza na história da escola. Me senti voltando pra casa, depois de uma temporada mágica em Os Protegidos da Princesa onde fui bicampeão, o que me fez crescer e amadurecer na arte do carnaval. A vitória no terceiro ano do retorno foi como uma redenção. Por tudo que a escola passou. Em 2020, contando os outros anos, já estou no caminho do 11º carnaval com a nação vermelha e branca.

5- Você prefere enredo autoral. É o seu DNA. Mas com as dificuldades de hoje, o enredo patrocinado é a solução?

Já tive a oportunidade de fazer muitos enredos autoriais e também receber temas de outras pessoas sendo feliz igual. Eu penso que é melhor fazer um desfile mais simples e enxuto com uma boa história, do que ter um patrocínio por um tema mequetrefe. Minha utopia é ter enredos patrocinados e não enredos do, ou sobre o patrocinador. Um sonho né?

6- Por fim, qual o recado para os consulenses sobre o carnaval 2020?

Querida nação! Acreditem que somos capazes de fazer mais um grande desfile! Juntos nos tornamos gigantes. Que a cada ensaio seja o prenúncio da nossa vontade de fazer o melhor no grande dia! Que estejamos unidos pelo mesmo ideal, sem medo e com muita vontade. Vamos à luta! Em honra à memória de Antonieta de Barros. De punhos cerrados e com muita alegria!











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