Entrevista Bebel Orofino

O folclore ilhéu vive, resiste. E na concepção de artistas da Ilha a melhor maneira para valorizá-lo é a rua. O Baile Místico, um verdadeiro desfile de contos, lendas e personagens vivos da cultura açoriana emocionou o público na última sexta-feira no coração da cidade. Ele é apenas um dos eventos do Outubro Místico que vai tratar da essência da “Velha Desterro” nos próximos dias. Quem nos conta sobre este “Rebatismo da Ilha”, é a coordenadora de produção do BM, Bebel Orofino. Leia a entrevista:

1- Como surgiu a ideia do Outubro Místico?
 
O Outubro Místico surge com a ideia do Baile Místico. Mas na verdade tudo começou com um debate sobre a data redonda que temos neste ano na Ilha: completam-se 125 anos da mudança do nome da nossa cidade de Nossa Senhora do Desterro para Florianópolis. O que ocorreu em 1 de outubro de 1894. Por isso a história é longa...Mas para sintetizar: houve um post no Facebook em abril deste ano, feito pelo jornalista Laudelino Sardá sobre o assunto. E os comentários vieram de Gelci Peninha Coelho, Sandra Makowiecky, Vera Collaço, Silvia Lenzi, Roberto Costa, Sandra Meyer Nunes, Sandra Ramalho, e é claro algumas outras pessoas. E este post foi para as redes na data em que o Peninha estava lançando o seu livro Narrativas absurdas: verdades contadas por um mentiroso, em que essas pessoas estavam envolvidas. Então eu e o Peninha resolvemos chamar esse povo e tocar lenha numa fogueira. Afinal, eles estavam super atentos ao nome “embruxado” da cidade.  Esse povo se reuniu e resolveu criar um evento. Mas como são malucos, pensaram: faremos uma Aula-Performance sobre o massacre de Anhatomirim, vamos rezar e liberar essas almas e depois, de noite, poderemos ter um baile. Como a data da mudança do nome da cidade é em outubro, então só podia ser baile de bruxas. Do nome embruxado da capital nasceu o baile das bruxas, o Baile Místico, cuja matriz de inspiração é a narrativa Baile de Bruxas dentro de uma tarrafa de pescaria de Franklin Cascaes. E Festa de bruxas em Itaguaçu, de Gelci José Coelho, o Peninha. Assim surgiu a ideia. Tudo foi feito em 3 meses.  

2- Que avaliação pode ser feita do Baile Místico?
 
O Baile Místico aconteceu na sexta-feira. Ainda estou sob o efeito da emoção. Foi lindo!  Quem estava lá se emocionou muito. Estavam o Boitatá de Cascaes, o Bruxomanéagostinho”, o Lobisomem da Lagoa. A comissão de frente eram as bruxas da bike e as galocletas de Meyer Filho. Os Bonecos do Berbigão do Boca tocando o céu com a lua crescente. 2 bandas: Amor à Arte e Cores de Aidê. E muitos, mas muitos outros artistas incríveis. Cruz e Sousa estava elegante. Estandartes. Benzedeiras, bruxas, rendeiras, boi-de-mamão e tanta coisa que não dá para escrever tudo. E o povo todo, só “Quirido” e “Quirida” que amam a Ilha de Santa Catarina e estavam lá para prestar uma homenagem à beleza das suas paisagens e à riqueza singular de sua cultura. Precisamos fazer ainda uma avaliação de grupo, mas pelo que estamos todos sentindo, foi um sucesso emocionante, amoroso, colaborativo, contagiante. Porque, a partir do momento em que aquele grupo inicial começou a tocar a ideia, mais e mais pessoas foram se juntando. E porque você pediu 7 linhas por resposta, fica impossível aqui citar todo mundo, mas não posso deixar de mencionar a Roseli Pereira, Ana Lúcia Coutinho e Zena Becker, essas três bruxas incríveis! E o boitatá Jackson Cardoso, nosso maestro.

3- O que as pessoas pensam sobre o folclore?
 
Aqui na Ilha de Santa Catarina amamos o nosso folclore, a nossa cultura popular. Temos consciência e conhecimento sobre quão rica e singular ela é, quão linda e o quanto merece ser preservada.

4- Quais as próximas atividades?
 
As próximas atividades são: no dia 19 de outubro, às 20h, a peça no TAC: O aviador no planeta de Cascaes, de Alessandra Gutierreza Gomes. E no dia 1 de novembro, às 21h, no CIC, o Show Musical do nosso grande Valdir Agostinho.

5- Já pensam em incluir no calendário da cidade o evento?
 
Sim, existe essa possibilidade.

6- Por fim, qual a mensagem que fica para os admiradores da cultura?

Foi sublime estar presente no 1º Grande Baile Místico da Ilha de Santa Catarina. Os meus parabéns a todos os artistas envolvidos. Estava lindo! Que venham muitos! E que se torne, ele mesmo, uma tradição.










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