Entrevista Fernando Luz

A Entrevista de Domingo mostra o trabalho de sucesso do Manezinho Fernando Luz, de 34 anos, criador da loja Soulvenir que oferece ao mercado produtos contendo aspectos e expressões mais relevantes da cultura mané aplicadas em itens de uso comum como porta-copos, camisetas e chaveiros. 

Em 2015 foi aberta a primeira loja no Shopping Iguatemi, uma façanha para uma empresa fundada com 10 mil reais há apenas 3 anos, com recursos limitados e num período sombrio para a economia brasileira. O contrato de 3 meses foi uma amostra dessa precaução por parte do shopping e da Soulvenir. Mas não é que funcionou? Desde dezembro de 2015, com muita garra e suor, a Soulvenir está presente no mix do Iguatemi, nadando no mesmo mar que outros tubarões.

Hoje a Soulvenir gera 6 empregos diretos e algo em torno de 18 empregos indiretos, muitos destes vinculados as empresas que produzem as criações. 

1- Como surgir a ideia da Soulvenir?

A Soulvenir nasceu através da necessidade de atender uma demanda própria, tínhamos dificuldades para encontrar produtos com maior valor agregado, utilidade e contendo aspectos da cultura local para os nossos amigos de outras partes do mundo que iríamos visitar ou que receberíamos em Floripa. Juntamos então as expertises dos sócios fundadores, dois sobrinhos e um tio, dois designers e um administrador, para criamos alguns produtos. O projeto era termos as explicações das expressões mais relevantes da nossa cultura mané aplicadas em produtos de uso comum, iniciamos com os porta-copos e chaveiros. De um lado a expressão representada por uma ilustração, do outro a explicação desta expressão de forma irreverente, porém baseada em pesquisas com especialistas no assunto e moradores antigos da nossa cidade. Produzimos e começamos a distribuir para amigos, para nossa grata surpresa o sucesso foi avassalador, neste momento descobrimos um novo nicho, até antão não explorado na nossa cidade: presentes criativos com temática cultural para moradores e visitantes de Floripa. No atual modelo somos dois sócios, ambos administradores, eu e a minha esposa Anne Perfeito.  

2- Como foi a transição de loja virtual para um espaço no shopping?

A nossa entrada no mundo dos shoppings foi uma junção de ousadia, com um projeto bem elaborado e efeitos da crise econômica, o que nos propiciou pular algumas etapas nesse processo. Desde o início da empresa trabalhamos de forma planejada, dando o passo conforme o tamanho das nossas pernas, na verdade quando recebemos o "sim" do Shopping Iguatemi estávamos com o e-commerce bem ativo, a abertura da primeira loja de domingo à domingo, das 10 às 22 horas nos fez mudar o foco, tivemos que nos reinventar, aprendemos demais, um contrato que era para durar inicialmente 90 dias hoje já alcança três anos. Gostamos da "brincadeira" e abrimos a segunda loja, desta vez no Floripa Shopping. Não abandonamos porém o comércio virtual, o futuro do varejo é eletrônico.  

3- E as expressões dos produtos? Como são escolhidas?

Traduzir de forma criativa o nosso linguajar está no DNA da Soulvenir, inserir estas informações em produtos úteis e criativos é o que nos move. Catalogamos mais de 140 expressões típicas manezinhas, mas a modernização da língua e o mundo ao nosso redor vão trazendo novas referências, combinações e possibilidades dentro do nosso negócio. Hoje utilizamos também referências arquitetônicas, aromas ligados a nossa vegetação, sabores da nossa terra, componentes musicais, mais do que nunca embalamos Floripa para presente, estamos buscando tocar os clientes em todos os sentidos possíveis. Sobre a escolha das expressões digo que no início fazíamos pesquisas, descobríamos quais eram as mais relevantes, quais eram mais atrativas e irreverentes, hoje, com a experiência de quase cinco anos nesse mercado, já possuímos dados e impressões para criações mais assertivas dentro do acervo já catalogado.

4- Quem consome a Soulvenir? Qual seu público-alvo?

Outro grande desafio é esse, para fugir da sazonalidade brutal no nosso mercado definimos que a Soulvenir deve ser um ambiente amigável para quem vive em Florianópolis e também para quem está somente de passagem. Compilamos dados e atualmente 70% do nosso faturamento vem de moradores da nossa cidade, porém os 30% restantes, de visitantes, possuem um ticket médio de compra maior quase uma vez e meia que os locais, quando nos visitam compram bem e esse é um público que temos prazer em atender e para o qual concentramos parte das nossas criações  Como nosso mix de produtos é amplo atendemos desde as crianças com as nossas almofadas para colorir com os personagens do boi de mamão como o público da terceira idade com os nossos aromatizantes de ambiente ou as placas decorativas em homenagem as principais ruas da nossa cidade. Nossa comunicação e definição de target são complexos por causa dessa mistura. Preferimos buscar clientes que curtam a nossa cultura, que se interessem pela nossa história, nesse sentido percebemos claramente uma predileção de viajantes costumazes pelo nosso produto, investimos em mídias e parceiros que conversem com esse público. 

5- Qual o futuro da empresa?

Nosso objetivo é ampliar a nossa linha de produtos lançando pelo menos uma novidade por mês, majorar a presença em pontos próprios e de terceiros na nossa região, consolidar a loja virtual como alternativa para clientes distantes dos nossos pontos físicos e continuar a promover a nossa cultura, seus artistas e o destino Florianópolis para moradores e visitantes. Somos um ponto de encontro entre os manezinhos apaixonados pela nossa cultura e os visitantes curiosos para conhecê-la. A Soulvenir foi concebida com potencial para expansão, estudamos propostas para levar o mesmo plano de negócios para outros centros do país, traduzindo as expressões dessas regiões, imprimindo as suas características específicas mas mantendo a base do tripé que transformou a Soulvenir em referência no nicho de  presentes criativos temáticos para todo o Brasil: utilidade, irreverência e uma boa dose de cultura! 

6- Por fim, que dicas para novos empreendedores?

Empreender não é para qualquer um, empreender é saber abdicar, é ser resiliente, estar sempre disposto a se reinventar, olhar para dentro da empresa e também para fora dela de forma ininterrupta. Hoje o teu concorrente não está mais no bairro vizinho ou na cidade vizinha, ele está também do outro lado do mundo,  Empreendemos, infelizmente, num país de burocratas, com uma máquina estatal pesada, ineficiente e corrupta, todo empreendedor deve estar ciente que mesmo um excelente projeto pode "morrer na casca" se não tomar cuidado com essa realidade que interfere, e muito, no dia a dia dos empresários brasileiros. Porém, se tens no teu DNA a competitividade, o objetivo de inovar, de gerar valor e, logicamente, te preparas intelectualmente e psicologicamente para gerir um negócio que te trará responsabilidade inclusive sobre o rumo de outras vidas, esse é o caminho! O nosso país precisa de mais empreendedores, gente que invista na melhoria dos processos, que gere riqueza. Só a concorrência e um ambiente empreendedor farão do Brasil um país admirável. O grande retorno vem aos poucos, é preciso ter calma, mas emociona muito ver as pessoas curtindo o que criamos com tanto carinho.




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